PADRE DAMIÃO DE MOLOKAI

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Nascido Joseph de Veuster, aquele que mais tarde se tornaria o Padre Damião, da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, foi o sétimo dos oito filhos do casal Frans de Veuster e Catherine Wouters, proprietários de uma pequena área rural e de um pequeno comércio. Baptizado no dia de seu nascimento, em 3 de Janeiro de 1840, os pais de Joseph, embora profundamente religiosos, tinham para ele uma outra perspectiva de vida para além da religiosa; o casal pretendia que Joseph fosse o seguidor dos negócios da família. Com este intuito, foi enviado à cidade belga de Braine-le-Comte, para que pudesse aprender o francês e completar a sua formação geral. Contudo, este foi o mote para um amadurecimento espiritual e humano, o qual o decidiram a prosseguir uma vida consagrada a exemplo de uma irmã e de um irmão, o seu irmão Augusto, que tomou o nome de Panfílio, membro da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
 

Plenamente decidido a também abraçar a vida religiosa, Joseph entra na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e, aos dezanove anos, em 2 de Fevereiro de 1859, inicia o noviciado em Lovaina, onde assume o nome pelo qual viria a ser conhecido desde então: Damião. No entanto, a sua fraca formação académica e os seus fracos conhecimentos de francês, impedem-no de entrar no sacerdócio. É, contudo, após a sua profissão dos votos perpétuos, em 7 de Outubro de 1860, que Damião regressará a Lovaina, Bélgica, seu país natal, para estudar teologia, após um ano de estudos filosóficos, latim, grego e francês, em Paris, onde estava sediada a Congregação. A exemplo de São Francisco Xavier, a quem Damião orava todas as noites, ardia em seu coração o desejo de ser missionário. Em 1863, seu irmão Panfílio, que deveria partir em missão, dentro de poucos meses, para as ilhas do Havai, cai doente com tifo; por este motivo, Damião pede ao seu Superior Geral para tomar o lugar de seu irmão. Desta forma, e após um apressar do processo, desembarca no porto de Honolulu, no dia de São José, em 19 de Março de 1864. Nesta cidade é ordenado subdiácono em 26 de Março de 1864, e ordenado sacerdote em 21 de Maio seguinte. Seguir-se-á um período de actividade missionária, de cerca de oito anos, no arquipélago havaiano.

Por essa ocasião, em 1866, o governo das ilhas decide, devido ao forte contágio e à incapacidade em o conter, enviar para a ilha de Molokai aqueles que sofriam de lepra, de forma a evitar o contágio entre a população. Em 10 de Maio de 1873, dia em a Igreja Católica celebra a memória deste Santo, Damião entre na ilha de Molokai, em uma missão que deveria ser de alternância com três outros missionários, mas que, contudo, se tornou definitiva até à sua morte em 15 de Abril de 1889 (data em que o Havai celebra a festividade deste Santo), aos 49 anos de idade. Durante os 16 anos que Damião passou em Molokai, soube levar amizade e amor genuíno aos habitantes desta ilha.

«O serviço dos pobres e dos doentes representa, naturalmente, aos olhos do mundo, a parte mais marcante do testemunho de caridade dado incansavelmente por Damião, até sua identificação com os leprosos em seu corpo e até a oferta de sua vida». É com estas palavras que João Paulo II descreve Damião de Molokai no momento da sua beatificação, em 4 de Junho de 1995. Mais tarde, em 11 de Outubro de 2009, o papa Bento XVI afirmará, no momento da canonização deste santo, que, o exemplo de vida de Damião de Molokai, é para nós um convite a «abrir os olhos sobre as lepras que desfiguram a humanidade dos nossos irmãos e interpelam ainda hoje, mais do que a nossa generosidade, a caridade de nossa presença servidora».


 

TEXTO DE

Paulo Barroso

(Voluntário da AMU)


As fontes deste texto baseiam-se, essencialmente, nas homílias de beatificação e de canonização de São Damião de Molokai, proferidas quer por João Paulo II quer por Bento XVI, bem como no perfil biográfico de Damião de Molokai, disponível no site do Vaticano.