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Padre Damião de Molokai

Biografia


São Damião nasceu na Bélgica em 3 de janeiro de 1840, batizado como Joseph Veuster. Foi como religioso na congregação dos Padres dos Sagrados Corações de Jesus e Maria que ele adotou o nome de Damião pelo qual é hoje conhecido. Enviado em missão ao Hawai, foi ordenado sacerdote na capital das ilhas, Honolulu, em 24 de maio de 1864.

Ele não servia os moradores apenas como padre, também trabalhava com as próprias mãos para ajudar a comunidade. A igreja local, por exemplo, foi literalmente construída por ele, o que lhe rendeu muito apreço da população.

No entanto, uma devastadora epidemia de Lepra começou a gerar o caos na comunidade e provocou um grave fenómeno de discriminação, isolamento e cruel abandono, causados basicamente pela ignorância generalizada.

Os doentes eram segregados e enviados à “ilha-caixão” de Molokai, um destino não somente de morte certa, mas de um fim de vida despojado de dignidade e humanidade. Os doentes, rejeitados como lixo vivo, buscavam algum alívio na embriaguez. A ilha era palco de muita violência, fruto natural da privação de esperança e de civilidade elementar. Os dias se arrastavam entre doentes bêbados, gemidos de moribundos e uivos de cães que comiam os cadáveres abandonados ao léu.

Foi para essa “colónia especial” que o padre Damião solicitou ser enviado.

Ele desembarcou em Molokai com vários leprosos para lá desterrados, sabendo que, muito provavelmente, jamais sairia vivo daquela ilha de sofrimento.

Aos poucos, porém, o santo missionário foi transformando Molokai. Ele construiu na ilha uma igreja dedicada a Santa Filomena, um hospital, uma enfermaria, uma escola e algumas casas. Além das restrições materiais, teve de enfrentar as zombarias de muitos dentre os próprios doentes, já contaminados por uma desesperança tão mortal quanto era na época a sua enfermidade física.

Em 1885, aos 49 anos, o próprio Padre Damião contraiu a Lepra. Tendo-lhe sido oferecido sair da ilha para receber tratamento, o Padre Damião recusou.

Apesar das dores, ele deu prosseguimento à obra de Deus no meio daquele povo desprezado. Pouco antes de morrer, pôde ver a chegada do Padre Wendelin e das Irmãs Franciscanas, que assumiram a enfermaria. Uma delas era a beata Madre Marianna Cope, que serviu aos doentes da ilha durante mais de 30 anos.

O Padre Damião partiu para a vida eterna em 15 de abril de 1889, foi beatificado por São João Paulo II em 1995 e canonizado pelo Papa Bento XVI em 2009.

São Damião de Molokai é tão reconhecido por católicos e não-católicos que, no Capitólio dos Estados Unidos, a imagem que representa o Estado do Hawai é uma estátua de bronze deste sacerdote-herói.


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